28 ago. 2025

Tarifaço norte-americano acontece em momento sensível da economia brasileira

A visão é do doutor em economia e consultor da cadeia produtiva do calçado Marcos Lélis e foi passada para empresários do setor na reunião do Grupo de Inteligência da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal).

admin
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A visão é do doutor em economia e consultor da cadeia produtiva do calçado Marcos Lélis e foi passada para empresários do setor na reunião do Grupo de Inteligência da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal). O evento aconteceu no formato on-line na manhã do dia 28 de agosto. 

Segundo Lélis, a economia brasileira está “andando de lado”, com crescimento zero, conforme o IBC-Br, no comparativo de julho com o mês imediatamente anterior. “Estamos entrando em um período de ajustes, com atividade econômica baixa. É exatamente nesse contexto que devem aparecer os impactos mais fortes da sobretaxa dos Estados Unidos, o que preocupa”, comentou. O resultado já pode ser visto nas projeções Focus para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Para 2025, ocorreu um ajuste para baixo, com incremento projetado de 2,18%. Já para 2026, o crescimento do PIB deve ser de 1,86%. “Para 2025, com os efeitos do tarifaço, que devem ser mais fortes nos próximos meses, devemos encerrar com crescimento de 1,9%. Ou seja, o tarifaço fará com que percamos 0,3% do nosso PIB”, projetou. 

Outros dois empecilhos para a atividade econômica brasileira, segundo Lélis, têm sido os altos juros praticados e o consequente comprometimento maior da renda das famílias com dívidas adquiridas. “Hoje, o comprometimento da renda das famílias com pagamento de juros está em 35%”, ressaltou o economista. 

Já o mercado de trabalho, apesar de ainda estar aquecido, parece ter entrado em uma fase de ajustes. Segundo Lélis, com o desemprego estável em 5,8%, o mercado já vem registrando um aumento na taxa de informalidade ou o chamado “subemprego”. Os rendimentos médios também entraram em fase de desaceleração, tendo crescido 3,2% no trimestre abril/maio/junho, dois pontos percentuais menos do que o incremento registrado no mesmo período do ano passado.

Calçados
O reflexo, segundo Lélis, do desaquecimento na economia brasileira será sentido no setor calçadista brasileiro. “Ainda não mexemos nas projeções realizadas em conjunto com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), mas devemos ficar com crescimentos mais próximos das bandas pessimistas, de 1,4% na produção e de 1,2% na exportação do setor”, concluiu. 

Grupo
Coordenado por Lélis, o grupo setorial de Inteligência de Mercado da Assintecal se reúne a cada dois meses para trazer números atualizados e projeções com base no panorama dos mercados nacional e internacional. O encontro é aberto para associados da Assintecal. Mais informações pelo e-mail relacionamento@assintecal.org.br.

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