INSPIRAMAIS aponta os caminhos da moda
Mais do que um salão de negócios, o INSPIRAMAIS é um evento de vanguarda para a moda nacional. Entre os dias 7 e 8 de julho, no Centro de Eventos Pro Magno, em São Paulo/SP, o salão reuniu grandes nomes da moda e do mercado, que apontaram tendências, direcionamentos do mercado, novidades sustentáveis e muitos outros temas de interesse da cadeia produtiva do setor de componentes para calçados, vestuários, bijuterias, móveis e tapeçaria automotiva.

Mais do que um salão de negócios, o INSPIRAMAIS é um evento de vanguarda para a moda nacional. Entre os dias 7 e 8 de julho, no Centro de Eventos Pro Magno, em São Paulo/SP, o salão reuniu grandes nomes da moda e do mercado, que apontaram tendências, direcionamentos do mercado, novidades sustentáveis e muitos outros temas de interesse da cadeia produtiva do setor de componentes para calçados, vestuários, bijuterias, móveis e tapeçaria automotiva.
Um dos grandes destaques do INSPIRAMAIS é o lançamento de mais de mil materiais por edição. Os produtos são sempre desenvolvidos de acordo com uma pesquisa que tem à frente o estilista Walter Rodrigues, coordenador do Núcleo de Pesquisa e Design da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal). Na edição 34 do salão, foi materializada a pesquisa Essência, apresentada pelo criativo.
Na sua apresentação, Rodrigues detalhou a metodologia da pirâmide, que norteou a pesquisa de lançamentos do salão de moda e leva em consideração os insights dos 10% (laboratório de inovação e topo da pirâmide), 30% (materiais em desenvolvimento no meio da pirâmide) e 60% (produtos já aprovados pelo mercado e base da pirâmide). Sempre, os produtos apresentados no salão fazem parte dos 10%, ou seja, o início do caminho para a moda nacional. A pesquisa Essência trouxe a necessidade de ressignificação do luxo para o debate fashionista. Segundo o criativo, atualmente o consumidor está mais informado sobre os processos produtivos da moda e questionando a indústria sobre o que consome e se o produto realmente vale o que se paga por ele. “Existe uma crise de legitimidade no luxo. Por isso, é fundamental repensarmos o significado dele, trazendo-o de volta para a sua essência”, comentou, acrescentando que, atualmente, o luxo precisa estar sempre “justificando” a sua existência para obter sucesso comercial.
O primeiro tema da pesquisa Essência é o Purismo, que valoriza o silêncio, a pausa em meio ao excesso e a ancestralidade, em um retorno ao essencial. Entre os materiais desenvolvidos, destaque para acabamentos delicados, couros limpos, peles exóticas, matelassados sem volume, laços discretos, minimalismo, camurças, aspectos geométricos, em uma retomada da alfaiataria (sofisticação) na moda. O segundo tema da Essência é o Popismo que, fazendo o contraponto do primeiro, celebra o excesso. Aqui, aparece o luxo que se afirma no exagero, na intensidade de cores e no estampismo, influenciado pelo movimento pop, que ganhou força nos anos 1980. Nos materiais, a riqueza dos detalhes dá vida a produtos feitos à mão, pedrarias, bordados e metalizados “com aspecto de metal”. A cartela de cores é composta, principalmente, por tons de cobre, vermelho e verde. Os materiais poderão ser vistos nas vitrines do varejo no segundo semestre de 2027.
Spoiler
Um dos momentos mais aguardados do INSPIRAMAIS é a apresentação do Preview do Couro, que em parceria com o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) traz um “spoiler” da pesquisa que baseará os materiais lançados na próxima edição do salão. Para a edição 35 do evento, a pesquisa é a Camuflagem, que estará materializada nas vitrines no primeiro semestre de 2028.
Ao lado de Marnei Carminatti, consultor do Núcleo de Pesquisa e Design da Assintecal que coordena o espaço dos couros no INSPIRAMAIS, Rodrigues detalhou que buscou uma narrativa que se conectava com o Essência. “Nosso olhar, agora, se dirige aos consumidores, de como o estudo do comportamento de consumo pode ampliar nossa assertividade no momento das escolhas e do que programar nas três etapas da Pirâmide de Produtos”.
A camuflagem emerge como um dos arquétipos centrais do nosso tempo. Longe de significar apagamento, ela opera como estratégia de proteção e linguagem. “Camuflar-se é negociar a própria visibilidade. É escolher quando aparecer e quando reter”, disse. Paradoxalmente, surge a necessidade de desaparecer para existir. “Diante de um mundo instável, marcado por excessos, deslocamentos e incertezas, surge uma estética da sobrevivência”, pontuou.
Segundo o criativo, “estamos vivenciando um momento no qual a identidade está cada vez mais em um estado de evolução contínua”. Neste contexto, o sujeito contemporâneo habita múltiplas peles, transitando entre códigos, territórios e narrativas, camuflando-se como uma forma de existir com liberdade e proteção. Ou seja, a individualidade já não se apresenta como essência fixa, mas como construção contínua, uma identidade em permanente estado de edição.
Entre fluxos digitais, sistemas de homogeneização e códigos de pertencimento, o sujeito desloca-se: observa, absorve, reorganiza. Segundo Rodrigues, a frase “sou o outro do outro” ecoa muito o pensamento de identidade como espelho, algo que se constrói sempre em relação ao outro, nunca isolado. O “eu” não é fixo, é um campo em movimento, atravessado por olhares, memórias e projeções. Aí aparece o Reflexo, primeiro subtema da pesquisa, que vai buscar referências em superfícies espelhadas, em brilhos e efeitos nacarados.
O segundo subtema é Território. “Vestir-se é cartografar-se. A roupa deixa de ser mero objeto para tornar-se discurso: manifesta pertencimentos, tensiona normas, ativa narrativas”. Para o criativo, neste contexto, o corpo vira território e é vestido por peças que carregam vestígios de gestos, texturas e histórias, compondo um arquivo vivo em constante reconfiguração. “Materiais, processos e formas não são neutros: são portadores de memória e agentes de sentido. A emergência de práticas regenerativas, biomateriais e cadeias circulares aponta para uma reconexão entre o humano e a terra, entre produção e continuidade”, concluiu.
As cores do 10% são: bege café com leite, branco e verde.
Os materiais da pesquisa Camuflagem serão apresentados na próxima edição do INSPIRAMAIS, que acontece nos dias 26 e 27 de janeiro, no Centro de Eventos FIERGS, em Porto Alegre/RS.
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